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Reflexão International Sobre Solidariedade

Gritos da Terra

Introdução

“A terra está de luto e perecendo; o mundo se acaba pouco a pouco e morre; o povo da terra aos poucos se acaba. A terra está profanada debaixo dos pés de seus habitantes: eles violaram a leis, mudaram o estatuto e quebraram a aliança eterna.” (Isaias 24: 4-5) Pachamama, como os índios andinos chamam a mãe terra, é a principal vítima dos efeitos da ação de nossa sociedade atual sobre o meio ambiente. Eventos extremos relacionados às mudanças climáticas estão se acumulando: poluição nas cidades, em nossas fontes de água, a destruição de ecossistemas e a perda de biodiversidade; eles são vítimas dos efeitos de nossa sociedade atual sobre o meio ambiente. Já não é somente a Mãe Natureza que grita os pobres também gritam. Inundações e incêndios não fazem distinção entre pessoas e árvores. Há o medo de que a mudança climática possa entrar em nossas salas de estar da mesma forma que a Covid-19, sem poupar ninguém. Precisamos começar de novo e parar com a autodestruição. É por isso que o Papa Francisco através de Laudato Si’, nos desafia a buscar um novo começo, um novo paradigma de relacionamento, produção e consumo.

Chamado à Oração

Senhor de todo o Universo, expressamos nosso amor por nossa Mãe Terra. Seu grande amor nos envolve a todos, desejando nossa felicidade e fraternidade na Terra. Hoje nós a abençoamos e abençoamos tudo o que está criado sobre ela. Também pedimos perdão pela dor que infligimos a ela. Nós saqueamos suas entranhas e manchamos sua pele com o sangue de seus filhos. Ensina-nos, Pai e Mãe, a respeitá-la e amá-la com o mesmo amor com que nos amas. Dê-nos uma consciência justa para alcançarmos a reverência por tudo o que você criou e assim nos aproximarmos de um novo amanhecer cheio de justiça e paz. Amém! (Oração pela Terra, Salvador Perez, Associado de Porto Rico).

 

[1] Tradução extraída da Bíblia Pastoral

Experiência

A natureza é uma força vital sem a qual não poderíamos existir. No entanto, fizemos um paraíso, um depósito de lixo. Causamos o desaparecimento de quinhentas espécies de animais. Saqueamos o planeta em busca de combustível e carvão. Os números mostram: cerca de 46.000 a 58.000 milhas quadradas (120.000 a 150.000 km2) de floresta são perdidas a cada ano; 1,4 bilhões de libras (635 milhões de kg) de lixo entram no oceano anualmente. As doenças transmitidas pela água são a principal causa de morte de crianças menores de cinco anos, matando quase 1.000 bebês todos os dias. A Amazônia atende aos interesses econômicos das corporações transnacionais. A sociedade pan-amazônica é multiétnica, multicultural e multirreligiosa. Nela, a disputa pela ocupação do território se intensifica cada vez mais. (Documento de Aparecida N°8) As comunidades aborígenes estão sob pressão para abandonar suas terras e liberá-las aos projetos extrativos e agrícolas que não se preocupam com a degradação da natureza e da cultura. A poluição ambiental causa a morte de 12,6 milhões de pessoas por ano, de acordo com o relatório da (UNEA-2) e as florestas tropicais podem desaparecer completamente em cem anos se o atual ritmo de desmatamento continuar. Os desastres causam danos de grandes dimensões com graves consequências.

Questões:

  1. Quais são os gritos de sofrimento da Mãe Terra no país / localidade onde você mora?
  2. Que ações pessoais e comunitárias você está realizando para reverter a crise climática em defesa da Terra e do meio ambiente?
  3. Como o senso de urgência da crise climática a desafia à luz do futuro que ela deixará para as próximas gerações?

Reflexão

Precisamos estar cientes da situação e agir para mitigar nosso impacto ambiental no planeta.   Órgãos políticos globais devem liderar soluções. No entanto, em nosso papel de cidadãos ativos, podemos contribuir para mitigar os efeitos nocivos das agressões ao meio ambiente, modificando nossos hábitos de consumo em função do bem comum. Podemos avaliar as fontes de energia e os produtos que consumimos. Como assinala o Papa Francisco, devemos abrandar o nosso ritmo de vida frenético a fim de recuperarmos a capacidade de perceber, contemplar e valorizar o que nos rodeia. Devemos nos libertar da indiferença consumidora que nos impede de ver quem não tem, do individualismo que nos isola e entorpece, da superficialidade que nos impede de sonhar e trabalhar por um mundo melhor, da agressividade que paralisa o diálogo, e da irresponsabilidade de nossas ações sobre o ambiente natural e com nossos irmãos e irmãs. Devemos retornar à ternura, compaixão e preocupação pelos outros, a fim de amar o mundo e todas as suas criaturas com generosidade e restaurar relações justas com os outros.

Ação

Visto que a terra e seus recursos são um presente de Deus para toda a humanidade, considere contemplar o Criador em ação, seja mais reverente, justa e econômica no uso das coisas criadas. Como educadoras daquilo que somos e fazemos, aproveitemos todas as oportunidades para educar para uma ecologia integral e restaurar a relação correta com a criação. Que ação mais específica você pode realizar para estar mais consciente e fazer escolhas que preservem e ajudem a proteger o planeta?

Oração

Hoje nos solidarizamos com a responsabilidade coletiva de todos os seres humanos e elevamos nossa oração pedindo perdão a Vós, nosso Criador. Perdoe-nos, pois poluímos a atmosfera que nos cerca e nos protege. Poluímos a água por causa de nossa negligência e egoísmo. Por nossa causa, peixes estão morrendo e os rios estão sujos e inabitáveis. Perdoa-nos pela desertificação da nossa terra, a qual tornamos estéril para as gerações futuras em nome do progresso. Perdoe-nos, pois não atendemos aos gritos de nossa irmã e mãe terra. Tenha misericórdia de nós e abra nossos corações para contemplarmos em toda a sua criação o seu rosto enquanto você vive entre nós. Pedimos seu perdão e sua bênção. Amém

Preparado por Irmã Bernardine Fontanez, Província da América Latina e  Caribe,para a Rede Internacional de Shalom.

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