O Amor dá Tudo

Reflexão Internacional sobre solidariedade

Vivendo uma Ecologia Integral

 janeiro de 2024

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Introdução

Foi na década de 1980 que o termo ecologia (criado pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel em 1873 para focar nas relações entre as espécies e seu ambiente) tornou-se parte do vocabulário cotidiano por meio das pesquisas de Rachel Carson em “Primavera Silenciosa“. Em 2009, Ken Wilber introduziu a ecologia integral no amplo campo da ecologia, visando incluir as inter-relações em todos os níveis da vida. Desde 2015, o Papa Francisco em “Laudato Si’” e, em 2023, o “Laudate Deum” consolidou os ensinamentos de todos os Papas desde o Concílio Vaticano II para firmemente estabelecer a ecologia integral no pensamento e na crença católica. Como Irmãs Escolares de Nossa senhora, comprometemo-nos a viver uma ecologia integral por meio do Plano de Ação Laudato Si’. “…reconhecemos nossa obrigação e oportunidades de desenvolver uma visão global e um senso de responsabilidade global… somos desafiadas a testemunhar a unidade em um mundo dividido.” (VSE C26).

Chamado à oração

Nós te louvamos, ó Deus, Criador de todas as coisas, cujo mistério se revela em “uma folha, em uma trilha de montanha, em uma gota de orvalho, no rosto de uma pessoa pobre”. Jesus, teu Filho, nos ensinou a nos maravilharmos ao percorrer a terra, contemplando a beleza da criação. Oremos, ó Deus, para que possas despertar em nós uma consciência reverente de nossa ligação invisível com todo o mundo criado. (Essa oração é inspirada na Laudate Deum, a exortação apostólica do Papa Francisco, oferecida pela USCCB).

Experiência

Quando voltei para Minnesota depois de renunciar ao Conselho Geral, não tinha certeza de qual seria o foco da minha vida. Depois de me aposentar, senti-me chamada a continuar educando e defendendo a nossa Terra. Pouco tempo depois, recebi um telefonema de um amigo para me juntar à Equipe de Cuidado com a Criação, que atende a Arquidiocese de St. Paul e Minneapolis. Seu convite ressoou com minha paixão pela Terra. Funcionamos sob a supervisão do Centro de Missão de uma maneira não hierárquica. Não fazemos parte da estrutura diocesana, nem a Arquidiocese nos financia. Usamos um modelo de escuta sinodal para moldar nosso cuidado com nossa casa comum.

Vinte e poucos voluntários levam a Laudato Si para paróquias e escolas. Navegamos por questões políticas e da Igreja, crise climática, guerra, deslocamento de pessoas, racismo, colonialismo, supremacia branca e devastação de nossas terras e águas. Nosso objetivo é ouvir histórias de pessoas marginalizadas, especialmente comunidades rurais, jovens adultos e indivíduos e comunidades BIPOC (Negros, Indígenas, Pessoas de Cor). Oferecemos educação e esperança. Dentro de um grupo de trabalho dessas comunidades, estamos criando um Plano de Ação Laudato Si’ para a Arquidiocese. Nós nos reunimos mensalmente para rezar, ouvir e aprender. Juntos, decidimos os próximos passos à medida que ouvimos, defendemos, educamos e criamos materiais para reflexão.

Reflexão

Embora eu tenha recebido a missão de cuidar da criação de muitas maneiras e em muitos lugares ao longo dos anos como Irmã Escolar de Nossa Senhora, essa reunião de pessoas de todas as esferas da vida e de diferentes paixões me tocou e me mudou. O cuidado com a criação não é mais algo que eu faço, mas algo que eu sou. Meu coração ficou maior à medida que aprendi com outras pessoas como a crise climática e os muitos níveis de interação com a cultura, a política e a Igreja afetam nossas vidas de maneira cotidiana. Cada ação afeta cada decisão, quer estejamos cientes disso ou não.

A Ecologia Integral depende da inter-relação e da interação entre as esferas ambiental, cultural, social e econômica da vida. Ela nos chama para um novo paradigma em que nenhum aspecto da vida funciona sem ser informado pelos outros. A Doutrina Social Católica e as Escrituras apontam para a mesma realidade – tudo está interconectado. A sabedoria divina criou a vida dessa forma.

Ação

Como a ecologia integral se manifesta em sua vida? Como seu coração foi tocado? Mudado? Esses pontos de reflexão podem confirmar ou lhe dar um caminho a seguir:

  1. Demonstrar preocupação com o meio ambiente e um desejo de harmonia com a criação. LS 225
  2. Ver o Criador que vive entre nós. Louvemos a Deus. LS 84
  3. Preocupar-se com os pobres e trabalhar para o bem comum. LS 10
  4. Viver diariamente e tomar decisões de vida que rompam com a violência, a exploração e o egoísmo. LS 230
  5. Tratar uns aos outros e a todos os outros organismos com compaixão, cuidado e respeito. LS 11
  6. Compreender que as ações e decisões têm um impacto intergeracional. LS 159

Oração de encerramento

Rezemos por humildade – para lembrar que nós também fomos criados e não somos donos da criação.

Rezemos por compaixão – por olhos e corações abertos para acolher aqueles que foram forçados a fugir de suas casas devido ao aumento do nível do mar e da seca.

Rezemos por arrependimento – para que nossa sede de poder e domínio seja transformada em serviço.

Rezemos por simplicidade – e pela vontade de abandonar nossa ganância, que afeta pessoas vulneráveis em todos os lugares.

Rezemos pela conversão cultural – para que possamos simplificar nosso estilo de vida, reduzir a poluição e o desperdício, e exercer prudência em nossa tomada de decisões.

Rezemos por mudanças políticas – para que, como nação e mundo, possamos trabalhar juntos para reverter o curso das mudanças climáticas.

Nosso coração dói ao refletirmos: “O mundo canta um Amor infinito: como podemos deixar de cuidar dele?”

Nós te louvamos, ó Deus, confiantes de que tu, Senhor trabalhas em nossos corações e por meio de nossas ações para que possamos cuidar melhor de nossa casa comum.

 

(Continuação da oração de abertura inspirada na Laudate Deum, a exortação apostólica do Papa Francisco sobre o cuidado com a criação).

Preparado por Kathleen Storms, Província do Pacífico Central das IENS, para a Rede Internacional Shalom. Gráfico extraído da Declaração Direcional, 24th Capítulo Geral. Design: Escritório de Comunicações da Congregação.

Resp. pela tradução: Ir. Tarcísia Schwade, IENS