Reflexão Internacional Solidariedade

Sustentabilidade

Fevereiro 2018

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Introdução

“As previsões catastróficas já não podem ser olhadas com desprezo e ironia. Poderemos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo para as próximas gerações. O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal forma as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual, por ser insustentável, só pode desembocar em catástrofes, como, aliás, já está a acontecer periodicamente em várias regiões do mundo. Os efeitos do desequilíbrio atual só podem ser reduzidos pela nossa ação decisiva, aqui e agora…”, escreve Papa Francisco na sua encíclica Laudato si’(161).

“Visto que a terra e seus recursos são um dom de Deus para toda a humanidade”, Vós Sois Enviadas nos convoca “a sermos reverentes, justas e sóbrias no uso das coisas criadas, preocupadas com as necessidades das gerações do presente e futura” (DG 19 a). Por isso, é essencial: pensar, com responsabilidade, sobre o que na nossa vida e experiência diária bloqueia a reverência e o cuidado pela criação; agir de uma convicção interior; e desenvolver um olhar consciente que vai além das fronteiras de nossa vida local e de nossos países, e “ ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres.” (Laudatosi’ 49).

 Chamado à Oração

Deus todo poderoso “Que nosso seja um tempo de recordar o despertar para uma nova reverência face à vida, pela firme resolução de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta em prol da justice e da paz e pela jubilosa celebração da vida” (Laudatosi’207).

Experiência

Nossas comunidades, vivendo em diferentes partes do mundo, experienciam diferentes dimensões da crise ecológica. Em cada lugar, cada uma de nós é chamada a discernir suas implicações para a nossa vida.

Aquelas entre nós que vivem em países desenvolvidos são acostumadas e acham natural de ligar a torneira com um simples movimento, e a água jorra, água potável!; ligamos as luzes com um simples movimento e o lugar se torna luminoso; ligamos o computador com um simples movimento e podemos começar a trabalhar ou surfar na internet imediatamente; com um simples movimento podemos carregar nosso telefone e fazê-lo funcionar de novo. Se quisermos ir a um lugar, nós simplesmente sentamos em um dos nossos carros. E se alguma coisa não funciona tão bem, talvez até ficamos aborrecidas. Mas o preço de tudo isso é que as pessoas que vivem no outro lado do mundo “estão atoladas numa desesperada e degradante pobreza, sem saída”(Laudato si’ 90, and cf. 50).

Aqui  há uma pequena informação: de acordo com o relatório conjunto de 2017  por WHO e UNICEF, um terço da população do mundo  (que é 2.1 bilhão de pessoas) falta de acesso à àgua potável, e mais que a metade ( aproximadamente 4,5 bilhões de pessoas) falta de saneamento seguro nas casas ou perto delas. Aquelas entre nós, vivendo em países pós-comunistas vimos que o longo desejo de bem-estar (assistência) não resolveu todos os nossos problemas; além do mais, trouxe novos problemas. Podia ser nossa missão histórica mostrar com nossa vida como impedir as armadilhas nas quais outros já caíram. Para pessoas vivendo em países em desenvolvimento – em diálogo e confiantes na sabedoria de comunidades locais e a experiência universal da Igreja – seria importante tornar-nos  advogadas de uma atitude alternativa de vida, baseada no amor e partilha.

Reflexão

“Ninguém quer o regresso à Idade da Pedra, mas é indispensável abrandar a marcha e olhar a realidade de outra forma, aceitar os avanços positivos e sustentáveis que foram feitos”, diz o Papa Francisco em Laudatosi’(114). E na verdade, é importante separar na nossa vida pessoal-  quais são nossas necessidades básicas,  parte da nossa dignidade humana, e o que é consumo compulsivo. Se o nível do nosso consumo vai além do nível da sustentabilidade do mundo, então devíamos considerar se nossas exigências de consumo são realmente essências para a nossa vida. Porque podemos tomar decisões sobre nosso consumo livremente, de acordo com a voz da nossa consciência. E quando nos abstivermos conscientemente do consumo insustentável, nós não limitamos a qualidade da nossa vida; pelo contrário, nós a aprofundamos. (Cf. Laudatosi’ 223).

AÇÃO

Vós Sois enviadas nos lembra: “No fundo do nosso ser encontramos um desejo e uma necessidade de estar para os outros. A nossa Constituição nos chama a estarmos profundamente inseridas no nosso mundo, para responder às necessidades básicas e dar nossa vida para que outros possam viver.”(Prólogo)

  • Tomemos algum tempo para separar nossas necessidades e nosso consumo compulsivo, e consideremos como podemos “dar nossa vida para que outros possam viver.”
  • A Quaresma inicia este mês, dia 14 de fevereiro. Consideremos a mensagem que o Papa escreveu para o dia 1ºsetembro , 2016:
    • “Aprendamos de implorar misericórdia de Deus para os pecados contra a Criação que não reconhecemos e não confessamos. E ao mesmo tempo comprometer-nos a tomar passos concretos para a conversão ecológica…”
    • Que reconheçamos “nossa contribuição maior ou menor para a desfiguração e destruição da criação.”
  • Que mantenhamos uma Quaresma “verde”: vamos estabelecer objetivos pessoais alcançáveis, através dos quais possamos promover o cuidado à criação,
    • Considerar, se realmente precisamos usar o carro numa situação particular, ou quanta água e luz nós realmente necessitamos para certa atividade.

 Oração Final

Deus todo poderoso, ajude-nos a olhar além de nós mesmas, para as necessidades da Igreja universal e comunidade mundial. Porque a terra e seus recursos são um dom de Deus para toda a humanidade, ajude-nos a sermos reverentes, justas, e sóbrias no uso das coisas criadas, preocupadas com as necessidades das gerações do presente e do future. Dá-nos coragem para agir com justiça a fim de confrontar a injustiça com credibilidade e nos dispor a dar nossa vida para que outros possam viver. (Cf. VSE Prólogo, C17, DG 2, 19)

Preparado por  Erős M. Renáta SSND, Hungria para oEscritório Internacional da Shalom, Roma, Itália
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Tradução: Ir. Tarcísia Schwade